Os bastidores de um hatha yogi: nada yoga

Na 10ª semana da nossa série "Os bastidores de um hatha yogi" examinamos o nada yoga, um aspecto poderoso do treinamento na Hatha Yoga School.
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10ª semanaO Programa de Treinamento de Professores de Isha Hatha Yoga é uma tentativa de resgatar o yoga clássico em sua forma mais pura e de treinar professores que possam transmitir essa ciência fenomenalmente poderosa. Nesta série, estaremos acompanhando os participantes através de sua emocionante jornada de 21 semanas.

Na 10ª semana do programa, nós olharemos para o nada yoga, um aspecto poderoso do treinamento para os participantes da Hatha Yoga School.

Um mantra é um padrão de som matematicamente organizado que tem um impacto profundo no organismo.

"Nada" significa som. Sadhguru diz: "Se você consagrar e energizar aquilo, ele se tornará nada yoga. Hoje, a ciência moderna vê toda a existência como uma vibração. Onde há vibração, está destinado que exista um som. Portanto, no yoga, nós dizemos que toda a existência é apenas um som. Nós chamamos isso de nada brahma, o que significa que a criação e o criador são apenas som".

Sadhguru em Kanti Sarovar

Sadhguru nos conta sua experiência com nada brahma quando ele viajou para o lago Kanti Sarovar, logo acima de Kedarnath, nos Himalaias: "Eu estava sentado silenciosamente nas margens do Kanti Sarovar, olhos bem abertos, quando ouvi essa música alta e clara na minha própria voz. Era tão alto que parecia que a montanha inteira estava cantando. Era a minha voz e era em sânscrito, uma língua que eu nunca aprendi. Em minha experiência, tudo havia se transformado em som. Eu não criei a música — a relação entre som e forma simplesmente caiu sobre mim".

Os participantes da Hatha Yoga School aprendem alguns cânticos e mantras sagrados. Eles começaram aprendendo a invocação Asatoma sadhgamaya, depois foram iniciados na pronunciação de AUM, seguido pelo mais desafiador Nirvana shatakam e o belo Linga Bhairavi Stuti. Para todos eles, esta tem sido uma experiência altamente iluminadora. Um dos participantes nos disse: "Quando eu me escuto entoar e presto muita atenção às vibrações, sinto que isso cria uma certa distância entre corpo-mente e mim. Às vezes, eu sinto que o entoar está apenas acontecendo, como um processo".

Sobre a ciência dos mantras, Sadhguru diz: "O som tem um impacto tanto sobre o corpo quanto sobre a mente. Um mantra é um padrão de som matematicamente organizado que tem um impacto profundo no organismo. Uma pessoa pode romper limitações de tantas maneiras diferentes, apenas entoando certos mantras. Portanto, existe toda uma ciência de mantras — compreendendo o relacionamento entre sons e formas e utilizando isso em seu benefício. É uma ciência muito essencial".

Visto que todos esses cânticos são em sânscrito, torna-se muito crucial – e desafiador – que os participantes aprendam a pronúncia precisa. Sadhguru diz: "Você precisa entender que isso não é uma letra, isso é um cântico. Uma letra significa que ela é valiosa por causa de seu significado. Um cântico é valioso por causa da forma como os sons são engenhados". Sadhguru nos dá uma visão fascinante desta língua maravilhosa, o sânscrito: "Se você tiver domínio sobre o som, você também terá domínio sobre a forma. Toda uma ciência de chamar uma forma particular pela reverberação que ela estabelece está presente na cultura indiana. Isso é uma observação muito profunda da natureza. Se você está em um certo estado de percepção – que nós tradicionalmente chamamos ritambhara – se você olhar para qualquer forma, a reverberação que aquela forma específica emite é clara para você. Com base nessa reverberação, você lhe atribui um determinado nome, de forma que, quando você pronuncia aquele som, ele entra em contato com a forma. Portanto, o sânscrito não é uma língua inventada, é uma língua descoberta".

Para aqueles que pertencem às culturas ocidentais, entretanto, entoar esses sons traz algumas dificuldades. "Aqueles que não são expostos a nenhuma outra língua, exceto o inglês, devem ser extremamente cuidadosos com os cânticos", adverte Sadhguru, "porque o inglês tem uma pronúncia muito limitada, ela não se modifica muito". Você está falando a partir de apenas 26 letras no alfabeto. Se você falasse algum idioma indiano, sua pronúncia seria muito mais fluida".

No entanto, os participantes de origem não indiana parecem ter uma vantagem, porque, referindo-se ao Nirvana shatakam, de Adi Shankara, Sadhguru diz aos participantes: "Se você simplesmente ouvir um cântico, é bom para você, porque você não entende nenhuma palavra. Os indianos têm problema, porque tentam entender os significados, eles não conhecem todas as palavras, conhecem algumas palavras e inventam seu próprio significado. O significado não é importante".

Ampliando isto, ele diz: "Há sons na existência, não há palavras na existência. As palavras são 100% nossa criação. Um cântico é existencial. Não é social ou cultural. Uma canção é social e cultural. Um cântico não é nenhum dos dois, porque se trata dos sons, não se trata dos significados que atribuímos aos sons. Contudo, também atribuímos significados aos cânticos, porque um ser humano não é todo existencial, um ser humano é, até certo ponto, psicológico".

As reações dos participantes ao nada yoga têm sido bastante extasiantes. Srividhya disse: "O Linga Bhairavi Stuti é quase como se fundir no colo de Devi. Tão feminina, tão maternal! Você fica consciente da importância da pronúncia quando você diz, por exemplo, 'Bairavi' em vez de 'Bhairavi'. Há uma certa sensação majestosa no cântico e ele conecta você quase instantaneamente com a Devi".

Nota do Editor: Vairagya, o álbum de cânticos sagrados do Sounds of Isha pode ser baixado gratuitamente. Também está disponível como parte do aplicativo Isha Chants.